Foto de Diogo Zanatta / Skopo Media / Divulgação
A exposição fotográfica “Memória, Orgulho e Identidade” abre ao público nessa sexta-feira (24), às 17h, no hall do Prédio 1 da UFSM – Campus Palmeira das Missões. A mostra fica em cartaz até 19 de novembro, com entrada gratuita e acessibilidade a pessoas com deficiência.
Com fotografias do documentarista Diogo Zanatta e curadoria da museóloga Patrícia Vivian, a exposição reúne mais de 30 imagens resultantes de pesquisa de campo em seis terreiros do norte do Rio Grande do Sul, registrando pessoas, espaços e rituais das religiões de matriz africana.
A circulação do projeto já passou por Passo Fundo, Marau, Erechim e Carazinho, onde contou com batuque e a presença de Mãe Carmem de Holanda — liderança do Candomblé registrada na pesquisa. Na ocasião, Mãe Carmem resumiu o espírito da mostra: “As nossas tradições pregam o bem, a vida em comunidade e a valorização da natureza; respeito entre religiões precisa ser um compromisso de todos.”
Para a curadora Patrícia Vivian, trazer a exposição ao campus da UFSM aproxima universidades, escolas, comunidades de terreiro e pessoas em geral: “O trabalho convida a ver com calma e a ouvir com respeito, sem preconceitos. As imagens ajudam a desmontar estereótipos e a abrir diálogo público sobre liberdade e diversidade religiosa.” Já o fotógrafo Diogo Zanatta ressalta o caráter documental do conjunto: “As fotos nasceram de escuta em cada casa visitada, cada uma é diferente. São retratos de fé e para valorizar essas crenças que ainda são tratadas com discriminacao.”
Sobre a PNAB
“Fazer cultura no interior já é difícil. Fazer um projeto sobre religiões de matriz africana só foi possível por causa da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento. Essa política dá acesso a quem nunca teve: pessoas pretas, pardas, indígenas, periféricas, LGBTQIA+, como eu”, destaca o idealizador Nicolas Lian.
Ele também conta que o intuito do projeto é dar visibilidade aos povos de terreiros e ressalta a receptividade das lideranças religiosas. “Quando a gente chegou nos terreiros, a vontade das lideranças de falar, de contar suas histórias, de desmistificar os preconceitos foi enorme. Eles vivem a intolerância todo dia e, mesmo assim, recebem a gente com generosidade, com verdade. Cada terreiro tem sua forma de pensar, de praticar, de viver — e isso mostra como há uma diversidade imensa dentro das próprias religiões afro-brasileiras, que quase ninguém conhece porque nunca tem espaço”.
Material Educativo
Além das imagens, o público encontra material educativo gratuito: um livreto com conceitos e referências sobre as tradições afro-brasileiras que foi pensado para aprofundar os conhecimentos a respeito do tema. Em cada cidade, a equipe promove conversas com educadores e gestores culturais, estimulando o uso pedagógico do acervo e ações de combate ao racismo religioso.
A equipe também registra os impactos da circulação para compor um futuro curta documental desdobramento do projeto, com depoimentos de pais e mães de santo e de visitantes sobre o que a mostra mobiliza nas cidades por onde passa.
O projeto é realizado pela Skopo Media, produtora cultural com sede em Passo Fundo, que atua com audiovisual, fotografia e design, além de desenvolver formações, assessorias e projetos culturais com foco em valorização de territórios e narrativas sociais.
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