Operação do Denarc prende suspeitos de tráfico e lavagem de dinheiro no caso da morte do prefeito de Lajeado do Bugre
A ofensiva mobilizou 185 policiais civis em sete cidades gaúchas e desarticulou núcleos logístico, financeiro e prisional de uma facção
Publicado em 12/11/2025 às 07:53
Atualizado em 12/11/2025 às 09:23
Capa Operação do Denarc prende suspeitos de tráfico e lavagem de dinheiro no caso da morte do prefeito de Lajeado do Bugre

Foto de Ronaldo Bernardi / Agencia RBS / Reprodução

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), a Operação Resposta, que prendeu suspeitos de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e do assassinato do prefeito de Lajeado do Bugre, Roberto Maciel Santos, morto a tiros em novembro de 2022 dentro do gabinete municipal.

A ofensiva, conduzida pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), cumpriu 24 mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em sete municípios — entre eles Frederico Westphalen, Palmeira das Missões, Lajeado do Bugre, Rosário do Sul, Canoas, Charqueadas e Porto Alegre. Ao todo, 185 policiais civis participaram da ação, coordenada pela delegada Ana Flávia Leite.

Segundo as investigações, os alvos integram uma facção originária do Vale do Sinos, responsável pelo tráfico de drogas e armas no norte do Estado. O inquérito sobre o homicídio do prefeito foi conduzido pela delegada Aline Dequi Palma, da regional da Polícia Civil em Palmeira das Missões.

Conforme apurado pela reportagem, um dos mandados de prisão é para um homem que já cumpre pena em uma penitenciária federal de segurança máxima. Ele responde por homicídios, tráfico e organização criminosa, além de ser apontado como mentor da execução do prefeito. O investigado tem ainda vários familiares empregados na prefeitura de Lajeado do Bugre.

Outra presa é uma mulher do mesmo município, indiciada por tentativa de homicídio contra policiais civis. Interceptações indicam que a facção movimentou, em apenas dois meses, oito toneladas de maconha, 200 quilos de cocaína e cerca de 400 quilos de crack, distribuídos em diversas regiões do Estado. O valor estimado das operações é de aproximadamente R$ 25 milhões. Parte dos investigados foi detida nas regiões de Cruz Alta e Palmeira das Missões, além de municípios vizinhos.

Entre os alvos da ofensiva, há também pessoas ligadas a outros crimes graves. Uma terceira mulher presa é apontada como braço financeiro da quadrilha que atua no norte do Estado e está indiciada por planejar o assassinato de uma juíza em Marau. A magistrada sofreu um atentado a tiros em 12 de dezembro de 2017, no fórum do município. Três homens abriram fogo ao tentar resgatar um preso que prestava depoimento em uma audiência judicial. Policiais civis reagiram, perseguiram e prenderam os atiradores.

A mulher presa nesta quarta-feira foi indiciada como mandante da emboscada, que visava libertar o namorado — o preso ouvido na ocasião. Ela teve nova prisão preventiva decretada após reagir a uma tentativa de captura, em 2024, atirando contra agentes do Denarc. É investigada também por distribuir 20 quilos de crack na região de Lajeado do Bugre, droga adquirida em consórcio por várias quadrilhas ligadas à facção do Vale do Sinos.

Em junho do ano passado, policiais civis prenderam 93 pessoas suspeitas de fracionar 1,8 tonelada de maconha e centenas de quilos de crack e cocaína para revenda no Interior. Foi a Operação Leviatã, também conduzida pelo Denarc.

A análise de dados telemáticos e financeiros revelou três núcleos interligados na organização: o logístico, responsável por receber e distribuir entorpecentes; o financeiro, encarregado de ocultar valores ilícitos por meio de empresas de fachada e “laranjas”; e o prisional, que repassava ordens estratégicas de dentro dos presídios.

De acordo com o Denarc, o grupo adotava métodos sofisticados para evitar o rastreamento, como o uso frequente de novos telefones, segmentação das comunicações e alteração constante de rotas. As prisões desta quarta-feira representam um desdobramento direto das investigações sobre o assassinato do prefeito Beto Santos, cuja morte expôs o alcance político e econômico da facção no interior do Estado.

Fonte: Ramon Mendes - Jornalismo RP / GZH

Publicado por

Foto Rádio Palmeira
Rádio Palmeira