Acusação e defesa arrolam 40 testemunhas para serem ouvidas pela Justiça sobre sumiço de contadora

Entendendo não ser caso de absolver sumariamente os réus Paulo Ivan Baptista Landfeldt, 48 anos, e Ismael Bonetto, 21 anos, a juíza de Direito Andréia dos Santos Rossatto designou audiências para os dias 7 e 26 de junho no processo que apura a morte e a ocultação do cadáver da contadora Sandra Mara Lovis Trentin, que desapareceu em 30 de janeiro após sair de Boa Vista das Missões, onde morava, para resolver problemas de trabalho na cidade vizinha de Palmeira das Missões. A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico dessa quinta-feira, 3 de maio.
No total, a acusação arrolou 24 testemunhas e a defesa, 16. A magistrada também indeferiu os pedidos de revogação das prisões preventivas dos dois acusados pelo Ministério Público de terem unido esforços para matarem a contadora e esconderem seu corpo. As ações criminosas teriam ocorrido entre 30 de janeiro e 17 de fevereiro deste ano.
Sob cárcere agora em Canoas pela falta de cela especial em Palmeira das Missões, o marido de Sandra e então presidente da Câmara de Vereadores de Boa Vista das Missões teria pago R$ 40 mil a outras pessoas não suficientemente identificadas e a Ismael Bonetto, que confessou quando foi preso em Santa Catarina, em fevereiro, tê-la matado com dois tiros e ocultado o corpo porque Landfeldt queria o fim do casamento sem precisar partilhar o patrimônio. Bonetto ainda responde por extorsão, por ter tentado ganhar mais dinheiro de Paulo Ivan ameaçando de morte ele e seus familiares. “O Código de Processo Penal, em seu Artigo 167, diz que não sendo possível exame de corpo de delito, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. Ou seja, não há necessidade de localização do corpo, de perícia necroscópica, para que se possa atribuir a alguém a prática de um homicídio”, justificou o promotor de Justiça Marcos Eduardo Rauber, responsável pela denúncia.
Em segunda versão, Bonetto inocentou o marido e afirmou que ouviu falar sobre o caso e procurou o vereador a fim de extorqui-lo.
No dia 29 de abril, familiares e amigos participaram de uma missa em Boa Vista das Missões para marcar a data em que Sandra Mara completaria 49 anos. Ela possuía quatro filhos: um rapaz de 26 anos e três meninas, as quais teve com Paulo Ivan, uma de 16 anos, outra de 11 e a caçula de 5.

O que diz a defesa do marido

A defesa de Paulo Ivan Baptista Landfeldt, 48 anos, arrolou 15 testemunhas e é feita pelos advogados Breno Ferigollo e João Batista Pippi Taborda. Segundo Ferigollo, Paulo Ivan não é autor de nenhum dos fatos descritos na denúncia e sustenta que foi extorquido pelo desaparecimento da mulher por Ismael Bonetto. “Aquele que disse que a matou, que a teria enterrado e não acharam o lugar, que tinha companheiros que o ajudaram, mas não conseguiu comprovar os companheiros, que a caminhonete era de cor prata, e era preta. O segundo depoimento de Ismael, onde nega essa versão, deixa a grande dúvida. Que outro elemento pode-se ter que deixe Paulo como culpado nessa história?”, argumenta Ferigollo. A defesa também postula que como não há corpo, não se sustenta a acusação de homicídio e ocultação de cadáver.

O que diz a defesa de Ismael Bonetto

Responsável pela defesa do réu Ismael Bonetto, 21 anos, o defensor público Antonio Augusto Korsack Filho disse em entrevista por telefone que pediu a revogação da prisão preventiva no último dia 26 de abril por entender que além de ele não oferecer risco à sociedade e ao bom andamento processual, é inocente, e que a única prova apresentada até o momento contra o acusado é seu primeiro depoimento quando foi preso em Lages (SC), no qual afirmou ter matado a contadora a mando de Paulo Ivan em troca de pagamento e participado do sumiço. “Ele retificou sua confissão, isso não pode continuar a ser a única prova. E não ficou comprovada a morte, até agora não tem corpo”, expôs.
A defesa de Ismael arrolou uma testemunha para ser ouvida na audiência de 7 de junho.
Informações/Cristiane Luza/Folha do Noroeste