Médico de Passo Fundo que recebeu vacina contra a Covid-19 fala sobre sua experiência

Um dos profissionais que se voluntariou no Estado para receber a vacina Sinovac, contra a Covid-19 é o médico cardiologista, Dr. Edimar Lima. Morador de Passo Fundo, o especialista recebeu a primeira dose da imunização no sábado, 29 de agosto e conta porque decidiu participar da pesquisa do Instituto Butantan.

O médico foi selecionado pelo Hospital São Lucas da PUC-RS, responsável pelo estudo no Rio Grande do Sul. “É um estudo duplo-cego, randomizado com dois grupos, um que recebe placebo e o outro que recebe a vacina. Eu já havia trabalhado no São Lucas e logo que apareceu o convite para o estudo me inscrevi, com a intenção de fazer a minha parte no combate contra à pandemia. A maior contribuição que a gente pode fazer nessa pandemia é atender os pacientes e procurar a cura em uma possível vacina” ressalta.

Para participar, o cardiologista passou por uma avaliação, inclusive a sorologia para saber se já teve Covid-19, já que só podem participar do estudo pessoas que nunca desenvolveram a doença. “Foram realizados dois testes rápidos para comprovar que não tive contato com o vírus e depois, foi realizado o exame PCR da mucosa nasal”, explica Dr. Edimar.

Dr. Edimar contou que a vacina é de vírus atenuado, ou seja, tem estruturas do vírus, mas não tem a capacidade de causar a doença, mas sim possível imunidade, e cada voluntário que recebeu as doses recebe acompanhamento do Hospital São Lucas.

“Antes da aplicação recebemos um termo de consentimento onde está descrito as possíveis reações que podem ocorrer, além de possíveis benefícios ou malefícios, mas em resumo, os sintomas são os mesmos que qualquer outra vacina. Após isso, precisamos preencher um diário com sintomas, além de a equipe entrar em contato frequentemente para saber se há sintomas”, descreve.

Próximos passos

O cardiologista receberá em 14 dias a segunda dose do imunizante e seguir preenchendo informações no diário. Após isso, Dr. Edimar precisará realizar em torno de seis visitas ao Hospital São Lucas para acompanhamento e observações se ocorre desenvolvimento de imunidade contra o vírus.

“Sendo voluntário estou fazendo minha parte para que seja possível desenvolver a vacina e achar a cura”, finaliza Dr. Edimar.

O estudo

Atualmente em sua terceira etapa de testes, a vacina está no estágio em que é aplicada em larga escala, o que poderá comprovar em definitivo a sua eficácia e duração da proteção. O Hospital São Lucas é um dos 12 Centros de Estudos do Brasil, sendo o único do Rio Grande do Sul, que aplicará o insumo e documentará os resultados junto ao Instituto Butantan, de São Paulo.

Aline Prestes – Diário da Manhã