“Muita dor”, diz Sebastião Melo sobre morte de coordenador de campanha

O candidato à Prefeitura de Porto Alegre Sebastião Melo chorou ao falar sobre a morte de Plínio Zalewski, de 53 anos, um dos coordenadores de sua campanha (veja vídeo acima). O corpo foi encontrado na tarde desta segunda-feira (17) em um banheiro na sede do partido na Avenida João Pessoa, na área central de Porto Alegre.

“É um dia de muita dor para todos nós. O Plínio foi um valoroso companheiro da luta democrática desse país. Nos momentos mais duros do país, o Plínio estava lá na luta da democracia”, disse o candidato em coletiva de imprensa na sede do partido.

Melo destacou o trabalho desempenhado por Zalewski no partido. “Vários companheiros contribuíram com o nosso plano de governo, mas eu diria que o Plinio foi aquele que sentou na ponta da mesa para poder elaborar tudo que está aí hoje.”

“Desde ontem [domingo], quando o Plínio não chegou em casa, nós passamos a noite toda nos questionando tristemente. No início desta tarde, tivemos a notícia desse trágico acontecido dentro do nosso partido.”

Ao falar que Zalewski vai ficar na memória, o candidato embargou a voz e chorou. E falou por mais alguns segundo antes de encerrar a coletiva de imprensa. “Nunca teve uma pessoa que quis tanto que eu fosse candidato a prefeito como ele, entre todos os outros. Então, eu quero pedir licença a vocês, mas eu não tenho condições de estar aqui. Eu quero dizer para a Luciane que eu lamento profundamente, porque a política para mim sempre foi paz. E eu vou continuar nesse caminho.”

O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Rogério Grillo, observou que principal hipótese é que tenha ocorrido um suicídio. “Não estamos afirmando que seja isso, para isso que se faz a investigação. Segundo as primeiras pessoas que estavam presentes no local ontem [domingo] quando deve ter ocorrido essa morte, dão conta que esse rapaz já estava apresentando um comportamento meio estranho, depressivo, enfim.”

O delegado observou que, junto ao corpo, foi encontrado uma faca e um bilhete que agora vai ser analisado para verificar sua autenticidade. Segundo Grillo, o papel apresentava muito sangue e, por isso, há dificuldades de compreensão do texto.

Segundo a polícia, no domingo (16) ocorreu um almoço na sede do partido com várias pessoas, que agora devem vão prestar depoimento. O caso será investigado pela 5ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Diretor de IGP reforça hipótese de suicídio
O diretor do Instituto-Geral de Perícia (IGP), Cleber Muller, também reforçou a hipótese de suicídio. “O que analisamos é um quadro compatível com suicídio, característicos de suicídio com arma branca. É uma faca, são lesões de excitação, isso é compatível. No suicídio de arma branca, ela (a vítima) não comete um ato único.” Muller destacou que há lesões no lado direito e esquerdo do pescoço.

Para a hipótese de suicídio, Cleber reforçou que também foram considerados a posição do corpo e as manchas de sangue no local.  Além do exame de necropsia, o IGP deve analisar sangue e urina do homem.

A perícia também vai tentar apontar o que dizia a carta, já que há dificuldades de compreender o texto devido a presença de sangue.  “Mas a gente tem equipamento que possivelmente a gente consiga extrair os dizeres que tem na carta com equipamento de luz forense. Nós vamos tentar extrair os dizeres. Seria uma carta com teor de suicídio, de despedida.”

Família comunicou desaparecimento
Conforme a delegada Luciana Smith, a família de Plínio havia comunicado a polícia há dois dias sobre o desaparecimento dele. “Havíamos começado a investigação, quando recebo essa informação [da morte] por uma pessoa que trabalha no partido”, acrescentou Luciana.

Na comunicação do desaparecimento à polícia, a esposa de Plínio relatou, segundo a delegada, que ele vinha sofrendo “forte pressão política”. Não de uma pessoa específica, ainda conforme Luciana, mas no geral, em relação à campanha.

“Há relatos de que o computador dele foi invadido, mas não confirmamos isso”, completou a delegada. Ainda segundo ela, não há câmeras de monitoramento no local.

Fonte G1 RS