Polícia divulga nome de suspeitos de esquartejar crianças em ritual satânico

A polícia divulgou na segunda-feira (8) o nome dos sete suspeitos de envolvimento na morte das duas crianças encontradas esquartejadas em Novo Hamburgo.  A suspeita é que elas tenham sido mortas em um ritual satânico em Gravataí. Quatro pessoas já foram presas e outras três seguem foragidas. A polícia já conseguiu na Justiça a prisão preventiva dos sete.

Os quatro presos são Sílvio Fernandes Rodrigues, Jair da Silva, Andrei Jorge da Silva, Márcio Miranda Brustolin. Estão foragidos: Anderson da Silva, Paulo Ademir Norbert da Silva e Jorge Adrian Alves.

Conforme a investigação, Sílvio é o bruxo e mestre que teria executado o ritual – as crianças teriam sido mortas pelos demais que participaram do ato —, determinando o valor a ser pago, a necessidade de duas crianças de mesmo sangue e o passo a passo de como tudo deveria ocorrer.

Também preso, Jair é apontado como o principal “cliente”, quem teria encomendado o suposto ritual de prosperidade após ter sido apresentado por seu sócio, Paulo Ademir Norbert da Silva, que está foragido. Os R$ 25 mil pagos à vista ao bruxo teria sido dividido pelos dois, que atuam no mercado imobiliário, de revenda de carros e de venda de melancias. Eles são moradores de Novo Hamburgo.

O terceiro preso, Andrei, é filho de Jair. Já Márcio, que foi preso por último, na sexta-feira passada (5), e também teria participado do ritual, como discípulo do bruxo.

Entre os foragidos, também está o argentino Jorge. A polícia diz que ele trabalhava para os dois sócios e estava morando em Novo Hamburgo. O estrangeiro teria sido incumbido pelos empresários gaúchos de trazer duas crianças de mesmo sangue para serem sacrificadas. A suspeita é de que o argentino teria trocado os dois irmãos, raptados de uma localidade pobre da província de Corrientes, no país vizinho, por um caminhão roubado no Brasil.

Estão sendo procurados, ainda, o outro filho de Jair, Anderson, que também teria participado da magia, e Paulo, o sócio do “encomendador” do ritual.

Os sete devem ser indiciados por duplo homicídios — com possível agravante de tortura. GaúchaZH tenta contatar a defesa dos indiciados na investigação. Todos os envolvidos negaram participação no crime em depoimentos à polícia e também disseram que não se conheciam.

O ritual

A partir do relato de testemunhas, a polícia acredita que sete pessoas tenham participado do ritual — o bruxo e seis discípulos identificados ao longo da investigação — e que os passos da magia foram executados de sete em sete dias, de acordo com a lua cheia.

— O sete é um número sagrado para Deus e, consequentemente, para o diabo — afirmou o delegado Moacir Fermino, responsável pela investigação.

O ritual teria começado com os discípulos, de joelhos, se curvando “ao diabo”. Depois, enquanto o bruxo falava um idioma desconhecido — o delegado acredita ser aramaico —, os participantes teriam executado a morte e o esquartejamento das crianças — uma menina, com idade entre 10 e 12 anos, e um menino, de oito a 10 anos.

Ao menos o garoto foi alcoolizado, conforme comprovou exame. Há a hipótese de canibalismo e de abusos sexuais, que serão analisadas pela perícia. Ainda conforme Fermino, o corpo da menina apresentava marcas de facadas, com sinais de que lutou. A polícia suspeita que ela tenha sido atingida quando ainda estava viva.

Depois disso, as partes dos corpos teriam sido congeladas e foram desovadas em pontos estratégicos, em terras dos empresários, e de modo a formar um quadrado ou um losango, a cada sete dias.

Exames de DNA apontaram que as crianças têm a mesma mãe, mas pais diferentes. Elas ainda não foram identificadas. A polícia aguarda cooperação da Argentina.

Fonte: GaúchaZH | Vanessa Kannenberg