Sumiço, açude esvaziado e briga de vizinhos: o mistério que envolve a morte de gerente em Anta Gorda

Um mistério que ronda um pacato município do Vale do Taquari, que abriga apenas 6 mil habitantes, começou a ser esclarecido nesta quarta-feira (23). A Polícia Civil informou que o gerente do Sicredi Jacir Potrich, 55 anos, que estava desaparecido desde o dia 13 de novembro,foi morto. Um dentista de 52 anos foi preso nesta quarta, suspeito de tirar a vida de Potrich e esconder o corpo dele. Ambos eram amigos.

Antes de esclarecer o caso, a polícia trabalhou com diversas hipóteses para o desaparecimento, como mal súbito, suicídio e sequestro. O caso causou aflição em Anta Gorda, que não registrava casos de homicídio há 15 anos.  

Desaparecimento

Potrich desapareceu na noite do dia 13 de novembro após uma pescaria no açude de um amigo, nas proximidades de sua casa, em um condomínio fechado. Imagens de câmeras de segurança mostram que o gerente chegou em casa às 19h07min, sozinho, e se dirigiu para os fundos da casa carregando um balde onde estaria levando os peixes fisgados. Depois disso, ele não foi mais visto.

Comunicado do desaparecimento

Naquela terça-feira (13/11), Potrich trabalhou normalmente no Sicredi, onde é gerente há 25 anos. A mulher da vítima, que não estava em casa, recebeu recado no WhatsApp do sobrinho pouco depois das 20h30min, comentando que o tio não estava na residência. Ela não estranhou, imaginou que estivesse em pescaria ou outra atividade.

Na manhã da quarta-feira (14), por volta das 7h30min, Adriane telefonou para o marido para dizer que estava saindo de Passo Fundo. A ligação caiu na caixa postal. Quando retornou à cidade, a Polícia Civil foi acionada.

Buscas em açude esvaziado

Após o comunicado dos familiares, a polícia começou as buscas pelo gerente. Na mesma semana do desaparecimento, o Corpo de Bombeiros esvaziou o açude onde o corpo do homem poderia estar, mas nada foi encontrado. Os investigadores chegaram a trabalhar com a suspeita de que o gerente pudesse ter sofrido um mal súbito e caído no local. Hipótese que foi descartada em seguida.

Em busca de pistas sobre o paradeiro de Potrich, equipes com cães farejadores percorreram a área próxima do condomínio onde fica a residência da família, mas não obtiveram sucesso na investida.

Hipóteses para o caso

Além de possível mal súbito e queda no açude, a polícia também trabalhou com a hipótese de sequestro do gerente. Esse tipo de crime é comum em cidades do interior, onde criminosos mantém gerentes como reféns para garantir acesso a valores em bancos.

Suicídio não foi descartado pelos investigadores. Extorsão chegou a ser cogitada, mas a polícia identificou que não houve movimentação vultuosa de valores no banco, o que poderia evidenciar um sequestro seguido de extorsão.

Homicídio também tornou-se uma das possibilidades na investigação. Anta Gorda não registrava esse tipo de crime há 15 anos.

Aflição na cidade

Após o desaparecimento do gerente e buscas frustradas, nas rodas de conversas dos moradores, o assunto era quase que um só: o misterioso desaparecimento do gerente.

Inicialmente, o caso gerou curiosidade, mas começou a provocar preocupação e medo com a falta de respostas. Os moradores da cidade parecem se conhecer uns aos outros. Potrich, que há 25 anos trabalha na agência local do Sicredi, era um dos mais populares em Anta Gorda. Dificilmente alguém, por algum motivo, ainda não falou com ele.

— Todo mundo está falando em sequestro e isso está deixando a cidade em pânico — relatou a comerciante Cristiane Carbone, 37 anos, na época.

Entrevista

Quase uma semana após o desaparecimento, a reportagem de GaúchaZH conversou com a mulher do gerente, a contadora Adriane Balestreri Potrich, 53 anos. Os dois eram casados há 26 anos. No dia do desaparecimento, como costuma fazer às terças-feiras, ela havia viajado para Passo Fundo, onde o filho do casal, de 26 anos, mora. Antes, de acordo com a contadora, nenhuma anormalidade havia sido percebida na rotina do casal.

— É incrível que não tenha uma pista, um fio de cabelo sequer da criatura em lugar algum — desabafou na época.

Recompensa

Após uma semana do desaparecimento, no dia 21 de novembro, a família de Potrich decidiu oferecer uma recompensa de R$ 50 mil por informações que pudessem ajudar a encontrá-lo. Conforme o filho do bancário, Vinícius Balestreri Potrich, o valor seria pago para quem tivesse “informações concretas” sobre a localização do familiar. A proposta de recompensa foi anunciada nesta nas redes sociais do filho do bancário.

Polícia Civil / Divulgação
Policiais tentam localizar o corpo do gerentePolícia Civil / Divulgação

Delegado promete resposta

No dia 10 de janeiro, quase dois meses após o sumiço, o delegado responsável pela investigação, Guilherme Pacífico, disse entender que o caso estava próximo de um desfecho. Pacífico não deu muitos detalhes sobre a investigação, mas garantiu, em entrevista a GaúchaZH, que o caso não ficaria “sem uma resposta”.

Prisão de suspeito

Nesta quarta-feira (23) um dentista de 52 anos foi preso suspeito da morte de Potrich, Conforme a Polícia Civil, ele foi detido temporariamente por agentes da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em um apartamento em Capão da Canoa, no Litoral Norte. Ele será indiciado por homicídio qualificado, por motivo fútil e ocultação de cadáver. O suspeito é vizinho da família Potrich, em Anta Gorda.

Motivação do crime

Uma desavença financeira com o suspeito teria motivado o assassinato do gerente. O delegado Pacífico afirmou que o suspeito é um vizinho do bancário, que trabalhava como dentista e que vivia no mesmo condomínio fechado que Potrich.

Os dois eram amigos, mas teriam se tornado “inimigos” após uma mudança de endereço do banco Sicredi na cidade. Segundo Pacífico, o imóvel anterior era de propriedade do vizinho e, com a troca de lugar, o homem se se sentiu “traído” por não ter sido avisado por Potrich. A polícia ainda não informou como Potrich foi morto.

Fonte Gaúcha ZH

Por Jornalismo RP