Delegado detalha fraude bancária milionária e esclarece que não houve mandado em agência bancária em Palmeira das Missões
É apontado uso de contas de idosos e falecidos, atuação direta de gerente e prejuízo superior a R$ 1,4 milhão em saques no banco Bradesco
Publicado em 20/01/2026 às 09:28
Atualizado em 20/01/2026 às 12:41
Capa Delegado detalha fraude bancária milionária e esclarece que não houve mandado em agência bancária em Palmeira das Missões

Foto de Ramon Mendes / Rádio Palmeira

Em entrevista ao jornalismo da Rádio Palmeira na manhã dessa terça-feira (20), o delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, esclareceu que a operação deflagrada em Palmeira das Missões não teve cumprimento de mandados dentro da agência bancária investigada. “A princípio, não houve mandado na agência. Cumprimos mandados nas residências dos investigados”, afirmou, destacando que a medida visa esclarecer corretamente os fatos à população.

Segundo o delegado, a investigação apura uma fraude envolvendo a contratação irregular de empréstimos em contas bancárias de clientes idosos, muitas delas sem qualquer movimentação e, em alguns casos, pertencentes a pessoas já falecidas. “Não eram contas que as pessoas operavam no dia a dia”, explicou. Após a liberação dos valores, o principal investigado, que ocupava o cargo de gerente, habilitava sua própria biometria ou a de sua esposa para realizar os saques em caixas eletrônicos.

Conforme Herédia, os contratos de empréstimo ultrapassam R$ 2,5 milhões, mas o valor efetivamente sacado chega a mais de R$ 1,4 milhão. “A partir do momento que o empréstimo era creditado na conta, já era efetuado o saque”, relatou, ressaltando que a fraude não dependia do vencimento das parcelas para ser identificada.

O delegado destacou ainda que o caso foi descoberto a partir de controles internos da própria instituição financeira. “O banco localizou os indícios de fraude, coletou todas as informações necessárias e nos repassou uma notícia-crime formal”, disse. A partir desse material, a Polícia Civil confirmou os fatos, identificou os envolvidos e solicitou ao Ministério Público e ao Judiciário de Palmeira das Missões o deferimento dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, que foram concedidos com celeridade.

Três pessoas foram presas durante a operação: o gerente, sua esposa e um operador. No entanto, conforme o delegado, ainda não há convencimento quanto à participação do terceiro funcionário. “A princípio, vamos pedir a revogação da prisão dele para que responda em liberdade”, afirmou. Já a situação do gerente e da esposa segue em análise, e a Polícia Civil avaliará junto ao Judiciário a necessidade de manutenção das prisões.

Durante a entrevista, Herédia também explicou que o nome da instituição financeira não será divulgado. “Eles atuaram de boa-fé, seguiram os procedimentos legais, identificaram os funcionários envolvidos e repassaram todas as informações à Polícia Civil”, justificou, destacando a necessidade de preservação da imagem do banco. O jornalismo da Rádio Palmeira apurou que a instituição financeira seria o banco Bradesco, que tem agência no município de Palmeira das Missões.

A operação contou com cerca de 15 agentes e foi coordenada pela delegacia especializada do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, com apoio da Polícia Civil de Palmeira das Missões, incluindo o setor de inteligência da regional. Agora, segundo o delegado, o inquérito policial já possui “bastante prova e bastante elemento de convicção” e entra na fase de análise do material apreendido, como celulares, aparelhos eletrônicos e documentos, antes de ser concluído e remetido ao Judiciário e ao Ministério Público para o prosseguimento da ação penal.

Fonte: Ramon Mendes / Sidi Farias - Jornalismo RP

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